Assuntos Importantes
Questões: Ética
Sentido de ética a partir da noção de ethos
Ethos significa a morada do ser humano, abrigo protetor e seguro, isto quer dizer que a partir do ethos, o espaço do mundo torna-se habitável para o homem, e este homem vive em constante interação com esse mundo.
Para ethos a ética envolve liberdade, autonomia, a busca do bem – o bem comum, o habitual. A ética é construída e suas virtudes também o são, e as pessoas constroem um agir que pode ser um agir humano ou desumano. Essa construção expressa a personalidade ética das mesmas. O ethos não é dado, é o tempo todo construído e reconstruído a todo tempo, e não depende só de nós, pois estamos articulados com os outros, estamos em constante convivência e muitas vezes vivenciamos uma convivência de natureza conflitiva, muito embora, esta convivência deva ter um sentido, uma meta que é o bem comum, mas hoje a ética inclui um cuidado do homem não só com a sua convivência com os demais seres humanos, mas com a natureza e o meio ambiente. A ética envolve e se fundamenta nas relações humanas, nas interações. O sentido ético da vida é que a vida está estruturada na ética.
A situação do ethos na sociedade atual?
A ética envolve e se fundamenta nas relações humanas, nas interações. Uma das características do paradigma da ética é de conferir sentido a vida e este sentido é constituído através das relações sociais, através do diálogo, das ações a qual interagimos gerando a convivência, convivência esta que muitas vezes se faz conflitivas e muitas vezes com relação de poder e rivalidade, pois trata-se de pessoas diferentes e culturas diversas. A essência do ser humano está em se relacionar, pois temos a necessidade de nos comunicar e de trocar vivências e afetos, portanto, precisa-se ter uma boa convivência com a morada interna (self) e com a externa (mundo) para se poder obter o equilíbrio.
O ser humano vive em sociedade, onde, as relações são construídas permanentemente, muitas vezes difíceis e desafiadoras, mas a vida do ser humano parece não ter sentido sem essas relações, visto que, a ética se constitui na nossa relação conosco e com o ambiente externo.
O ser humano é um ser social por natureza e precisa viver em sociedade. Sociedade no sentido social para ethos. Uma sociedade deve se organizar para atingir não só um grupo, mas atingir a todos. Todo grupo é social e precisa se organizar para atingir seus objetivos e saber como vai atingir o ethos – o bem comum.
Por
Rita de Cássia Moreira Menezes Mussuri
Caro professor:
Antes de tomar conta da classe em que está
meu filho, por favor, pergunte a si mesmo porque vai dar aulas a crianças índias.
Quais são suas expectativas, que recompensas está esperando, a que
necessidades do ego nossos filhos terão que satisfazer.
Ponha por escrito e examine todas as
informações e opiniões que possui a respeito dos índios. Quais são os
estereótipos e suposições não testadas que levará consigo para a sala de aula?
Quantas atitudes negativas em relação aos índios colocará diante de meu filho?
Que valores, que preconceitos de classe e
que princípios morais se lhe afiguram universais sem necessidade de discussão?
Lembre-se, por favor, que "diferente de" não é o mesmo que "pior
do que" ou "melhor do que", e a régua de que o senhor se vale para medir sua vida
satisfatoriamente talvez não se aproprie à
vida de seus alunos. A expressão "culturalmente carente" foi
inventada por brancos bem intencionados da classe média, para descrever alguma
coisa que não conseguiam entender. Infelizmente um número demasiado grande de
professores parece ver-se no papel de salvadores. Meu filho não precisa ser
salvo, não considera o fato de ser índio uma desgraça. Ele possui uma cultura,
talvez mais antiga do que a sua, possui valores significativos e uma rica e
variada vivência experimental. Por mais estranha ou incompreensível que esta
lhe possa parecer, não lhe assiste o direito de dizer nem de fazer coisa alguma
que lhe dê a entender que essa vivência não é satisfatória.
As experiências de nossos filhos têm sido
diferentes das crianças da classe média típica, para a qual parece ter sido
projetada a maior parte dos currículos escolares (desconfio de que essa criança
"típica" só existe na cabeça dos redatores de currículos). Sem
embargo disso, as experiências de meu filho têm sido tão intensas e
significativas para ele quanto as de qualquer outro. Como a maioria das
crianças índias de sua idade, ele é competente. É capaz de se vestir, preparar
uma refeição para si e limpar tudo depois, cuidar de uma criança menor. Conhece
a sua reserva - que é, toda ela, o seu lar - como a palma da própria mão.
Não está acostumado a precisar pedir
licença para fazer as coisas comuns, que são parte de uma vida normal. Raro o
proíbem de fazer alguma coisa; na maior
parte das vezes são-lhe explicadas as conseqüências de um ato e permite-se-lhe
que decida por si mesmo se deve agir ou não. Toda a sua existência, desde que
teve idade suficiente para ver e ouvir, tem sido uma situação de aprendizagem
experimental, arranjada para proporcionar-lhe a oportunidade de desenvolver
suas habilidades e confiança nas próprias capacidades. O ensino didático será
para ele uma experiência estranha.
Não é acanhado como muitas crianças
brancas. Nunca ninguém lhe disse que seus esforços pela independência são
engenhosos. É um jovem ser humano que executa, enegicamente, o seu trabalho, o
qual se resume em prosseguir no processo
de aprender a funcionar como ser humano adulto. Ele o respeitará como pessoa, mas esperará que o senhor faça o mesmo em relação a ele. Ensinaram-lhe, por percepção, que a
cortesia é uma parte essencial da conduta
humana e que a rudeza é qualquer ato que
faz outra pessoa sentir-se estúpida ou tola. Não tome a paciente cortesia dele
por indiferença ou passividade.
Ele não fala o inglês comum, mas não é, de
maneira alguma, "linguisticamente incapacitado". Se o senhor se der
ao trabalho e tiver a cortesia de prestar atenção e observar com cuidado, verá
que ele e as outras crianças índias se comunicam muito bem, não só entre si mas
também com outros índios. Falam o "inglês funcional", muito
eficazmente aumentado pela sua fluência na linguagem silenciosa - a comunicação
sutil e muda das expressões faciais, gestos, movimentos do corpo e utilização
do espaço pessoal.
Ser-lhe-á de bom aviso lembrar-se de que
nossos filhos são intérpretes habilidosos da linguagem silenciosa. Eles
conhecerão seus sentimentos e atitudes com infalível precisão, por mais
cuidadosamente que o senhor arranje seu sorriso ou module sua voz. Eles
aprenderão em sua classe, porque as crianças aprendem sem querer. Mas o que vão
aprender dependerá do senhor.
O senhor ajudará meu filho a aprender a
ler ou lhe dirá que ele tem um problema de leitura? Ajudá-lo-á a desenvolver as
habilidades de solucionamento de problemas, ou lhe dirá que a escola está onde
se tenta adivinhar a resposta que o professor deseja ouvir? Aprenderá ele que o
sentido que tem do próprio valor e da própria dignidade é válido, ou aprenderá
que terá de passar o resto da vida
pedindo desculpas e "trabalhando dobrado" por não ser branco? O
senhor poderá ajudá-lo a adquirir as habilidades intelectuais de que ele
precisa sem sobrepor, ao mesmo tempo, seus valores aos que ele já possui?
Respeite meu filho. É uma pessoa. Tem o
direito de ser ele mesmo.
Subscrevo-me,
atenciosamente
A Mãe
dele
---------------
A autora pede para permanecer anônima
(1973). A súplica da mãe índia ao professor: Trate meu filho com dignidade,
Education 8. C.,
3(1), Reproduzido com autorização.
ASSÉDIO MORAL Assédio
moral seguramente não é um fenômeno novo no ambiente de trabalho, mas obteve
maior projeção quando, em 2002, o Rio de Janeiro aprovou a primeira lei
brasileira em âmbito estadual condenando a prática. Atualmente, há inúmeros
projetos de lei já encaminhados em âmbito estadual e municipal, além da
proposta de reforma do Código Penal que pretende penalizar a prática através da
introdução de um inciso.
Mas, o que é assédio moral?
Identificado com mais freqüência nas relações hierárquicas autoritárias,
trata-se da exposição do trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras.
Ridicularizada e inferiorizada, a vítima é isolada do grupo, que estimulado
pela competitividade no ambiente de trabalho e intimidado diante da perspectiva
de que algo semelhante lhe aconteça, acaba sendo conivente ou mesmo
reproduzindo o comportamento do agressor.
Há um elenco bastante grande de
atitudes que podem ser enquadradas no assédio moral. Na esfera profissional,
podemos citar a exigência de tarefas que para nada servirão ou que estão muito
aquém ou além da formação do empregado e de suas atribuições. O assédio se
apresenta de forma ainda mais explícita quando são feitos comentários em
público a respeito do desempenho do trabalhador, enfocando sua suposta
incapacidade, lentidão, má vontade e falta de disposição para o trabalho. O
agressor faz, assim, com que a vítima se sinta inadequada àquele ambiente,
forçando-a a pedir demissão de forma nem sempre implícita, pois freqüentemente
sugere que tal atitude seja tomada. Os comentários agressivos, contudo,
costumam ultrapassar a esfera corporativa e se estender para a vida pessoal do
funcionário. Nessa esfera, podemos citar a exposição pública de dados íntimos
do subordinado e as “piadas” preconceituosas relacionadas ao gênero: no caso
masculino, procura-se afetar a virilidade da vítima; no caso feminino, procura-se
atribuir a suposta ineficiência e irritabilidade ao insucesso no relacionamento
com o sexo oposto, à infelicidade no casamento e à insatisfação sexual.
Assim como alguns tipos de agressão
assumem características específicas dependendo se a vítima é homem ou mulher,
também a reação das vítimas varia. Entre as mulheres, a reação ao assédio moral
costuma se manifestar através de choro, tristeza, ressentimento e mágoa; já
entre os homens, as reações envolvem revolta, raiva, desonra, indignação e
desejo de vingança. Não raro, há um afastamento do convívio de familiares e
amigos, passando-se muitas vezes ao uso de drogas como o álcool. Há, também,
distúrbios que afetam ambos, como a depressão, angústia, distúrbio do sono,
conflitos internos e sentimentos que reafirmam a sensação de fracasso e
inutilidade. Está claro, portanto, que a vivência de situações humilhantes
ocasiona importantes danos à saúde física e psicológica, podendo inclusive
comprometer a capacidade laborativa das vítimas.
Bibliografia
Livros:
BARRETO,
Margarida. Violência, saúde, trabalho
– uma jornada de humilhações. São Paulo: EDUC, 2003.
FELKER,
Reginald. O dano moral, o assédio moral e
o assédio sexual nas relações de trabalho. São Paulo: LTR, 2006.
FENAE -
Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Caixa Econômica Federal). Assédio moral. Minas Gerais, julho de
2002.
GUEDES, Márcia
Novaes. Terror psicológico no trabalho.
São Paulo: LTR, 2003.
HELOANI, José
Roberto. Gestão e organização no
capitalismo globalizado. História da manipulação psicológica no mundo do
trabalho. Atlas: São Paulo, 2003.
HIRIGOYEN, Marie
France. Assédio moral: a violência
perversa do cotidiano. São Paulo: Bertrand do Brasil, 2000.
_____________. Mal-estar no trabalho: redefinindo o
assédio moral. São Paulo: Bertrand do Brasil, 2003.
LIMA, Wagner
Fonseca. Violência Corporativa e Assédio
Moral. Rio de Janeiro: Armazém Digital, 2005.
PEREIRA, João
Renato Alves. Assédio moral: dando a
volta por cima. São Paulo: Editora do
autor, 2004.
Sites:
http://www.assediomoral.org/site/
Revista
científica:
Psicologia
Brasil, agosto de 2006.
Por
Rita
de Cássia Moreira Menezes Mussuri
ADOLESCÊNCIA
ESTENDIDA
Roger
(nome fictício), grita que tem direitos e se sente traído, toda vez que é
questionado sobre o futuro, como, por exemplo, sobre os estudos, trabalhos,
etc.c
“Não me apressem tenho meu tempo para fazer as coisas, não
sou como os outros”.
“Tô sabendo o que é melhor para
mim!”
Os familiares e a namorada gastam boa parte de suas vidas
preocupando-se com Roger, afinal ele parece ser uma pessoa interessante, mas
efetivamente não faz nada na vida. Tudo parece que é para amanhã, ou melhor,
para depois de amanhã.
A bem da verdade, Roger é um adolescente “típico”, com
todos os lugares comuns que normalmente são usados para os adolescentes, como
por exemplo, “é uma fase conturbada”, ou “ele está procurando sua identidade” e
uma infinidade de atributos pertencentes a uma longa lista que nós psicólogos
criamos para falar da adolescência que sonhamos que um dia tivemos, mas que no
fundo é um grande ritual de passagem* (mas isto é outra história). Porém há uma
coisa que não encaixa, Roger não tem 12 anos, nem 15 anos muito menos 18, mas 34
anos.
Adolescência estendida é um termo que venho desenvolvendo,
para tentar compreender melhor um fenômeno que vem se tornando cada vez mais
comum em nossa sociedade urbana brasileira. Caracterizado pela situação de um
jovem que, em geral, possuiu chances razoavelmente boas de desenvolver a sua
inserção no mundo, através de sua independência. No entanto, o indivíduo na
prática se recusa a assumir relações com o outro, sejam elas afetivas,
econômicas ou sociais e se define como diferente como se assim (único) somente
ele o fosse.
No meu entender, este fenômeno possui raízes psicológicas
importantes para o desenvolvimento de toda uma gama de jovens, que não conseguem
uma razoável independência de suas famílias de origem, no sentido da própria
diferenciação emocional. Em palavras simples, no sentido dele poder seguir o seu
próprio caminho assumindo as regalias, responsabilidades e a alegria de
escolher. A adolescência estendida gera pessoas desviadas de suas capacidades de
auto-realização.
Antes é preciso afirmar, o que pode ser considerado como
paradoxo básico do desenvolvimento psíquico humano: as mesmas condições para se
desenvolver um senso de independência também constroem um vínculo de proximidade
e afeto entre pais e filhos, ou melhor, entre pessoas. É na auto-afirmação da
possibilidade de sobrevivência enquanto ser autônomo, que se dá o reconhecimento
do outro enquanto um ser distinto. Isto é, rompe-se um laço simbiótico, e
através da individuação, se tornará possível o encontro e o contato afetivo no
decorrer da vida. Portanto, é através de uma afirmação da diferenciação
emocional que se chega a uma proximidade afetiva.
Em tempo, e com urgência, afirmo que diferenciação
emocional não é uma diferença de opinião que nos entrelaça em brigas infindáveis
curiosamente com aquelas pessoas de quem supostamente estamos nos
diferenciando, situação comum na adolescência estendida.
Por outro lado, a
adolescência, enquanto um evento temporal/biopsíquico, é marcada por
transformações que obviamente ameaçam apegos anteriores do próprio adolescente
como de seus familiares. Essa constatação é uma verdade da realidade humana em
qualquer evento temporal/biopsíquico da existência. De novo, é preciso pensar em
termos da polaridade proximidade e afastamento como um princípio básico da vida,
e que a capacidade de se despedir de apegos anteriores é que permite o
surgimento de novos apegos e o próprio aprofundamento dos anteriores, ou seja, o
surgimento de novas configurações.
A adolescência estendida se refere a um momento para além
do desenvolvimento maturacional orgânico do ser humano. O indivíduo se vê sem a
possibilidade (ou com a angústia de se perceber impedido) de criar vínculos de
proximidade e afeto no sentido da independência, bem como consciente da angústia
que estas transformações geram em apegos anteriores.
Se neste momento nos restringirmos a uma concepção de
adolescência no sentido temporal, observaremos, que as origens das
transformações são as tarefas desenvolvimentais que começam com o rápido
crescimento físico e a maturação sexual durante a puberdade. Como resultado da
maturação sexual, são acelerados os movimentos que buscam solidificar uma
identidade e estabelecer a autonomia em relação à família seja ela biológica,
afetiva ou substituta (que são, na verdade, processos desenvolvimentais para
toda a vida). Justifica-se assim o uso do termo adolescência na nossa concepção,
tanto no sentido do desenvolvimento como na possibilidade não de estagnação, mas
sim de desvio (círculo vicioso).
A noção de ”estendida”, está colocada para preservar e
acreditar na distinção, que é a diferenciação entre estas pessoas e outras que
estão literalmente na adolescência temporal. Não queremos comparar as primeiras
com um retardo, mas sim como uma construção de linha da vida que está fechada em
si para além da adolescência temporal e para aquém da auto-realização daquele
ser humano. Não é uma criança, mas não é um adulto, gera um caminho alternativo
que em geral fecha as possibilidades de criação e desenvolvimento de seus
potenciais. Foge com certeza de uma linearidade em direção à adultice, se vendo
enredado no bloqueio a sua auto-realização, preso em um hiato. Neste lugar, o
indivíduo diz aos outros ser especial e ao mesmo tempo se vê frustrado.
Mas o
que deve ter se passado e como foi gerada essa situação? Antes de mais nada, é
preciso lembrar que todo evento, situação ou fato possui um valor dentro de uma
configuração mais abrangente (neste caso: a família), isto quer dizer que de
alguma forma essa situação deve contribuir para uma outra situação. A partir daí
podemos supor, já que essa pessoa está congelada, que possivelmente está
congelando uma situação.(e/ou uma situação congelada está congelando essa
pessoa) Enquanto se mantém e é mantido como filho dependente, mantém seus pais
como pais de filhos adolescentes.
Mesmo nas brigas, discussões e intermináveis reclamações
que os pais deste adolescente estendido (que expressão horrível…) mantém, dia
após dia, subjaz a ilusão de que se preserva uma situação congelada, a família
excluída do relógio da vida e seus membros passando inertes/ilesos por ela. As
brigas que aparentemente são um pedido de ajuda, por outro lado são elixires da
juventude para esses pais, que tentam se excluir de enfrentar uma fase do ciclo
da vida familiar, que é a saída dos filhos de casa e o reencontro do casal
sozinho e sua preparação para a velhice (a síndrome do ninho vazio) e a
ansiedade de se verem de novo de frente. Um terceiro alivia a tensão desta
relação pela própria distribuição e localização dos conflitos nele. O terceiro é
que acaba sendo o facilitador da relação dos dois anteriores, e, como
conseqüência, se vê preso e possivelmente estagnado nesta relação, mesmo que
aparentemente pareça um rebelde e opositor aos outros
dois.
Roger é um paciente fantasiado do resumo de alguns
pacientes com os quais tive contato, seja em terapia individual ou familiar, e
algumas características são bastante repetitivas. Daí possivelmente elas sejam
elucidativas para nos aproximar dos “Rogers”.
A primeira característica é uma
sensação de ser um injustiçado por definição, alguém com quem os pais têm uma
dívida permanentemente. Fica claro assim que aceitar o lugar de terceiro tem seu
preço. Esta forma de se relacionar se estende também às pessoas em geral, de
alguma forma na espera de uma grande oportunidade de algo especial que nem elas
mesmas sabem o que é.
Reflito agora o quanto a cultura “psi” pode ter
influenciado o surgimento deste fenômeno, com a culpabilização dos pais de
algumas gerações atrás, aqueles ditadores malvados (Lembram?). Os pais do
adolescente estendido pertencem, geralmente, a uma geração e classe social
esclarecidas, que se orgulham de dar aos seus filhos o tempo e as condições
necessárias para que ele possa “se desenvolver plenamente” antes de sair de
casa.
Um outro ponto importante é a dificuldade de decisão e seu
instrumento mais eficaz é a auto-sabotagem. O que mais impressiona, é a sensação
de capacidade associada a uma profunda imobilidade, não por uma decisão
ideológica ou projeto de vida não usual, mas sim por um certo ressentimento
paradoxal de poder, mas não querer, e quando querer não poder, e nesse jogo os
anos passam e sonhos não concretizados em identidade se tornam
ressentimentos.
A agressividade e uma certa sensação de superioridade são
comuns e unidas a um lamento de não poder fazer o que se sonha. É importante
observar que a maioria não sonha nem em ser “malandro”, “hippie” ou “beat”, mas
em geral, traz a tristeza de não terem em seu álbum de memórias os fragmentos de
vida mais comuns.
A adolescência estendida não é uma posição de liberdade e
contestação, mas sim uma armadilha onde, a incapacidade produzida em um garante
a possibilidade de relação de outros familiares.
Essa possibilidade se observa nas relações humanas através
de um prisma triangular, onde a introdução de um terceiro permite a
possibilidade de relação entre um par através da diminuição dos níveis de tensão
acima do habitual daquele casal.
O desenvolvimento de uma autonomia existencial representa a
culminância de um longo processo familiar, que pode-se chamar de “deixar sair“
ou que alguns psicólogos de família chamam de lançamento, que obviamente começa
na infância deve se acelerar na adolescência e se intensifica com a inauguração
de uma nova família.
Em nossa
atualidade urge aos profissionais de saúde mental, refletir sobre a questão cada
vez mais crescente de jovens e/ou famílias que procuram os serviços, no intuito
de desembaraçar suas vidas na direção da inserção tanto em afetos como no mundo
da sobrevivência, no sentido da adolescência estendida, que não os rotulem
prematuramente de rebeldes com uma áurea de novidade, mas possam vislumbrar a
configuração mais abrangente, onde a ilusão de que se possa parar a sucessão das
gerações como em um congelamento, na impossível fantasia de que se não cresço o
outro não envelhece e nem morre.
OBS.: ESSE
TEXTO NÃO FOI ESCRITO POR MIM. NÃO TENHO REFERÊNCIA DE SUA AUTORIA. QUEM SOUBER
QUEM O ESCREVEU ME AVISE, POR GENTILEZA.
A DESINSTITUCIONALIZAÇÃO DAS RESIDÊNCIAS
TERAPÊUTICAS Com a
institucionalização o SUS pretende reintegrar socialmente as pessoas possuidoras
de doenças mentais e vítimas de longas internações, existe também usuários sem
histórico de internações prolongadas, mas que por vários motivos precisam
prover suas necessidades de moradia. As Residências Terapêuticas garantem um
apoio a reabilitação psicossocial e moradias a pessoas portadoras de graves
transtornos mentais, onde os profissionais da saúde, conforme a necessidade de
cada um individualiza o tratamento, focando a singularidade de cada paciente que
ali vem morar. O número de usuários pode variar desde 01 indivíduo até um
pequeno grupo de no máximo 8 pessoas, que terão sempre um suporte profissional
com sensibilidade para suprir às demandas e necessidades de cada morador.
A cada iniciação das ações de desinstitucionalização no Brasil não sabia o que
fazer com os pacientes que poderiam sair dos hospitais psiquiátricos, mas que
não tinham família ou o suporte da mesma, então a II Conferência Nacional de
Saúde Mental no final de 1992 enfatizou a grande importância da implementação
dos “lares abrigados”, onde através desse processo se trabalharia s reabilitação
desses pacientes e progressivamente a sua reintegração social.
As Residências Terapêuticas não são apenas serviço de saúde, mas também espaço
para morar e viver, e as mesmas devem ser iguais a uma casa normal, organizada
de forma a suprir as necessidade e gostos de seus moradores, em suma, as casas
devem ser personalizadas e com isso se terá moradias diversificadas.
Há uma articulação das leis e portarias para direcionar recursos e, assim
estimular a inserção e cuidados aos portadores de transtornos mentais na
comunidade.
As Residências Terapêuticas objetiva a diminuição de leitos nos hospitais
psiquiátricos, pois cada interno que a ela é dirigido, é um leito que vaga no
hospital.
As Residências Terapêuticas deverão estar vinculadas ao CAPS (Centro de Atenção
Psicossocial) ou outro dispositivo ambulatorial, mesmo configuradas como “outro
serviço” na ficha cadastral de estabelecimento de saúde (FCES) dos CAPS de
referencia.
O suporte a esses moradores foca a reintegrá-los na rede social existente como
trabalho, educação, lazer e outros a que estiverem disponível.
A forma da constituição do grupo de moradores com certeza terá influência no
convívio. È inevitável o aparecimento de questões do grupo e do morar a serem
trabalhadas coletivamente, mas não podemos nos esquecer que a cada lugar deve-se
trabalhar questões ligadas aos mesmos, levando em consideração a singularidade
e a individualidade de cada morador. Questões ligadas ao morar – contratualidade
– a parte de cada um, discórdias, disputas de espaço, namoro, barulhos, festas,
crenças, etc.
Nas Residências Terapêuticas o acompanhamento terapêutico é uma ferramenta
importante promovendo , assim uma autonomia para diversas tarefas e a autonomia
aumenta suas exigências afetando o acompanhamento que também será modificado.
O acompanhamento terapêutico (AT) é muito utilizado no processo de reapropriação
do espaço urbano e aquisição de autonomia para diversas tarefas.
Dentro dos trabalhos da Residência Terapêutica está o trabalho do cuidador que é
um profissional com um importante papel no projeto. Ele passa a operar um uma
residência e isso causa impactos importantes e precisam saber medir sempre o
quanto de cuidado oferecerá para auxiliar na conquista da autonomia do
morador.
Os ganhos que o paciente tem são inúmeros, mas não há nada melhor do que ter seu
quarto, banheiro, cozinha privados longe da vida coletiva que vivenciou na
instituição que estava internado anteriormente.
As Residências terapêuticas estão vinculadas ao programa “De Volta Para Casa”
criado pelo Ministério da Saúde que visa a reintegração dos pacientes com doença
mental e que possui anos de internação recebendo, assim um auxílio –
reabilitação psicossocial , beneficio que ajuda a melhorar a realidade da volta
para casa.
Os documentos que regulamentam o programa “De Volta Para Casa” são a Lei nº
10.708, de 31 de julho de 2003 e a Portaria nº 2077/GM, de 31 de Outubro de
2003. O beneficio consiste no pagamento mensal de auxilio – pecuniário, no valor
de R$ 240,00 (Duzentos e Quarenta Reais) ao beneficiário ou seu representante
legal (se for o caso), com duração de 1 ano, podendo ser renovado a partir de
uma nova avaliação de equipe municipal e de parecer da Comissão de
Acompanhamento do Programa “De Volta Para Casa” (CAP-SES e CAP-MS), e objetiva
apoiar e acompanhar o beneficiário no seu processo de reabilitação
psicossocial.
O programa “De Volta Para Casa” os gestores dos SUS possui responsabilidades em
vários âmbitos como: âmbito municipal, estadual e federal.
Por
Rita de Cássia Moreira Menezes Mussuri
